O que sua empresa do agro precisa saber para se proteger e reduzir os impactos do El Niño

O fenômeno climático El Niño em 2026 atinge forte intensidade e está gerando forte preocupação no Brasil com chuvas excessivas no Sul e secas severas no Norte e Nordeste. No Sul, especialmente no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, a expectativa de precipitações acima da média entre outubro de 2026 e fevereiro de 2027 coloca o excesso de umidade como preocupante. Já no Centro-Oeste e Norte, períodos de menor precipitação e temperaturas elevadas podem aumentar o risco de estresse hídrico e favorecer a presença de determinadas pragas.

O planejamento da safra 2026/27 deve considerar não apenas o potencial produtivo, mas também a capacidade de realizar as operações no momento adequado. No Sul, isso significa estar preparado para períodos de chuva que podem dificultar a entrada de máquinas e o cumprimento das aplicações. No Centro-Oeste e Norte, o foco está na formação da lavoura e na redução dos estresses iniciais que podem comprometer o desenvolvimento das plantas.

Segundo o engenheiro agrônomo, Gustavo Corsini, as diferenças regionais mostram que o planejamento não pode se limitar à expectativa de chuva. “A escolha de cultivares adaptadas, o preparo do solo, o tratamento de sementes e a disponibilidade de ferramentas na fazenda para o manejo fitossanitário (prevenção e combate a pragas) ganham importância diante de uma safra em que as janelas de aplicação podem sofrer alterações em relação ao que vinha sendo adotado”, esclarece Corsini.

Sul: excesso de chuva pode ampliar doenças

Nas áreas sujeitas a maior umidade, o primeiro desafio está no estabelecimento da lavoura. Solos compactados, com drenagem deficiente ou acúmulo de água, podem favorecer doenças radiculares, como a podridão-radicular de fitoftora, e comprometer a emergência das plantas. Por isso, o tratamento de sementes e a escolha de materiais adaptados às condições locais devem fazer parte das decisões anteriores à semeadura.

Em anos chuvosos, o monitoramento também precisa considerar o período de molhamento foliar prolongado e temperaturas amenas, que favorecem o desenvolvimento de doenças como a ferrugem-asiática, uma das principais preocupações fitossanitárias nas lavouras do Sul. Nesse cenário, o manejo precisa ser ainda mais racional, com atenção ao momento adequado para a aplicação dos fungicidas. “Por isso, ter as tecnologias adequadas e planejar as operações passa a ser uma estratégia eficiente de manejo”, reforça Corsini.

Regiões Centro-oeste e Norte

No Cerrado, em regiões do Centro-Oeste e Norte, a possibilidade de chuvas mais espaçadas e temperaturas elevadas pode aumentar a preocupação com períodos de menor disponibilidade hídrica. Nesse cenário, a formação de um sistema radicular bem desenvolvido é uma das ações para reduzir os impactos de eventuais períodos de estresse.

A presença de nematoides, a compactação do solo e a ocorrência de alumínio em níveis que limitam o desenvolvimento das raízes estão entre os fatores que podem comprometer essa etapa. Por isso, o manejo deve começar antes da semeadura, com avaliação das condições da área e adoção de medidas que favoreçam o desenvolvimento inicial da soja. Uma das opções para esse planejamento é o tratamento de sementes. Segundo a Corsini, a tecnologia de aderência às sementes contribui para a resistência à lavagem pela chuva e para a manutenção da proteção durante o período inicial de desenvolvimento.

Como agir com plantas daninhas e pragas

Além dos desafios relacionados às doenças, o cenário climático pode favorecer a ocorrência de plantas daninhas. No Centro-Oeste, a possibilidade de períodos de menor umidade reforça a importância do controle das invasoras desde o início do ciclo, evitando a competição por água e nutrientes justamente durante o desenvolvimento inicial da soja. O inverno chuvoso também favoreceu a presença de plantas daninhas em algumas áreas, aumentando a necessidade de atenção.

Consultoria da Ícono

Diante de um cenário climático marcado por diferenças regionais, o planejamento da safra 2026/27 deve ir além das decisões agronômicas. Antecipar possíveis impactos sobre produtividade, custos operacionais, disponibilidade de insumos, utilização de máquinas e fluxo de caixa permite ao produtor tomar decisões com maior segurança e reduzir a exposição aos riscos.

Para o produtor rural, estar preparado para diferentes condições climáticas significa preservar a capacidade operacional e financeira da propriedade. Nesse contexto, o acompanhamento dos custos, a revisão do planejamento e a adoção de estratégias preventivas podem fazer a diferença para manter a rentabilidade e a liquidez ao longo da safra.

Na Ícono, o planejamento e a gestão caminham juntos para apoiar empresas e produtores na identificação de riscos, na organização financeira e na tomada de decisões mais estratégicas. Em um cenário de incertezas climáticas e econômicas, antecipar imprevistos é uma forma de proteger o negócio e criar condições para um crescimento sustentável.

Fonte: Canal Rural

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